História
Família, Infância e Raízes da Fé
Seu Francisco Pimenta, homem simples, mais muito crente, fundador da Igreja Congregacional de Vicente de Carvalho no subúrbio da Cidade do Rio de Janeiro cria sua família naquele ambiente. Seu filho Silas Alves Pimenta, membro da igreja, conhece Ilza, começam a namorar. Ilza de origem católica, se converte ao protestantismo e se integra a igreja. Eles se casam em 1952 e Ilza adota o nome – Ilza Muniz Pimenta.
Silas já era militar do Exército Brasileiro (sargento) e ela do lar. Mas, Silas desejava mais e por incentivo de um comandante foi estudar medicina formando-se e passando a servir o exército já como oficial médico.
O filho primogênito, Sérgio Paulo Muniz Pimenta nasceu no Rio de Janeiro em 8 de novembro de 1954. Ele era o primogênito de dois filhos. Seu pai, agora Dr. Silas, com um perfil descrito como “meio sisudo,” ligado à disciplina e aos valores tradicionais. Sua mãe, Dona Ilza, era o contraste, descrita como a personificação da gentileza e da alegria. A família, de “origem simples, moradores da zona norte do Rio” cresceu com o nascimento de sua irmã, Ilsi, um ano depois.
O lar dos Pimentas era um ambiente de fé, música e muita alegria. Os “Pimentas” são alegres e festeiros. Inicialmente ligados à Igreja Congregacional de Vicente de Carvalho, a família depois se firmou na Igreja Presbiteriana, onde a fé de Sérgio se enraizou e ele recebeu o ensino bíblico que fundamentaria toda a sua obra lírica.
O convívio familiar era intenso, os natais na casa do “Seu Pimenta” (o pai de Silas). A reunião dos “pimentas” já era uma festa – não precisa de motivos.
Aos nove anos, em 1963, a vida de Sérgio sofreu uma transformação geográfica com a transferência de seu pai para Manaus, Amazonas. A mudança da família, que ocorreu em 1964, o transportou do cenário carioca para a vastidão amazônica, proporcionando uma experiência cultural única durante os anos cruciais de sua infância e início da adolescência.
Quando chegaram em Manaus, não havia televisão, não havia luz nas ruas. Era uma cidade pequena, só tinha dois médicos, Silas e mais um.
Por outro lado, Sérgio se sentiu livre, pegava o motor (pequena embarcação) e saía com o pessoal fazendo evangelização na população ribeirinha. Ilze não tinha preocupação tal era a tranquilidade da cidade. Era uma coisa assim, tão mato e casa. Não tinha muito o que fazer. Em Manaus que Sérgio cria a música “Cada Instante”.
Tornaram-se membros da Igreja Presbiteriana de Manaus e ali Sérgio professou a sua fé em Jesus Cristo.
Adolescência, Formação e o Despertar Musical
Foi em Manaus que o verdadeiro despertar para a música de Sérgio Pimenta ocorreu. Aos 14 anos, ele começou a compor suas primeiras músicas e a aprender violão de forma autodidata. O ímpeto inicial, o desejo de impressionar uma garota, evoluiu rapidamente para uma paixão pela arte, desenvolvendo um senso harmônico sofisticado e um estilo influenciado pela Bossa Nova e MPB.
Sérgio e Ilsi estudam no Colégio Batista “Ida Nelson” e nessa escola se valorizava muito as artes. Ilsi diz que lá era assim? “quem sabe declamar, declama; quem sabe cantar, canta. Os irmãos participam desses eventos na escola. Completou o primeiro grau em 1969 e, no Colégio Estadual, cursou a primeira série do segundo grau.
Mas cantavam também na Igreja de Manaus – Coro, solo, dueto com a irmã.
Em 1971, a família retornou ao Rio de Janeiro, pois Silas veio cursar a escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e foram morar, primeiramente na Vila Militar, no bairro de Deodoro, mas logo se mudam para a Rua Barão do Bom Retiro, no Engenho Novo. Sérgio continuou o ensino médio no disciplinado Colégio Militar do Rio de Janeiro, classificado na Infantaria, tendo concluído e colado grau em 4 de janeiro de 1972, no ano do sesquicentenário da independência do Brasil, por isso, a turma recebeu o nome de “Turma Sesquicentenário da independência”. Foram 137 formandos agrupados nas armas de Infantaria, Cavalaria e Artilharia.
No Rio de Janeiro, Sérgio e Ilsi se transferiram para a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro que ficava no Centro da Cidade. Silas permaneceu em Manaus tendo se separado de Ilza.
Na igreja Sérgio passa a participar do Conjunto Alegres na Esperança onde foram acolhidos pelo Davi Bollorini, líder do grupo e Neusa Ganzarolli. Mas, também, se envolveu com a mocidade da igreja. Por exemplo, em 1972, Sérgio participa do Concurso de Música Sacra da União de Mocidade da igreja e ganha o primeiro e o segundo lugar com as músicas: 1º lugar – Mais Perto (Música de Sérgio Pimenta e letra de Carlos Ferreira, gravada no LP De Vento em Popa); 2º lugar – Traço de União (música e letra de Sérgio).
Influenciado pela carreira do pai, ele tentou conciliar as expectativas militares com suas inclinações.
Suas notas no Colégio Militar lhe garantiam a entrada na Academia Militar das Agulhas Negras em Resende, Rio de Janeiro. Mas Sérgio queria ser médico como o pai. Foi conversar com Silas que lhe aconselhou: “faça a prova para medicina, se passar, bem; se não passar vá para a AMAN”.
Aceitou o conselho paterno, mas não obteve aprovação para o curso de Medicina. Então estava decidido, o caminho seria a AMAN.
Nesse tempo, Vencedores por Cristo (VPC) foi fazer apresentações no Rio de Janeiro, especificamente na Igreja Presbiteriana do Rio. Eis que Sérgio é apresentado a Guilherme Kerr Neto, líder daquela equipe de VPC que resolve ouvir suas músicas numa sala contigua ao templo – pronto! A surpresa de Guilherme foi grande e já ali uma grande amizade se estabeleceu.
Em busca de excelência, ele iniciou estudos formais de Violão Clássico na renomada Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, em 1975, onde permaneceu por cinco anos.
Paralelamente à formação artística, ele seguiu a carreira militar. Em 1973, ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), formando-se oficial de Comunicações em 1976. Durante a AMAN, ele se destacou nos festivais de música da Academia, mas também do grupo evangélico.
Formado ele foi designado para ser instrutor do Centro Preparatório de Oficiais da Reserva (CPOR) no Rio de Janeiro.
De volta ao Rio, ele se firmou na fé na Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
A Carreira e a Música: O Gênio da Bossa Nova Cristã
Sérgio Pimenta é aclamado como um dos maiores, senão o maior, compositor da música cristã brasileira. Ele foi um agente de renovação estética que introduziu a sofisticação harmônica da Bossa Nova, Samba, Blues, Chorinho e MPB no repertório evangélico.
Sua obra é marcada pela conciliação entre a fé evangélica e a sofisticação da Música Popular Brasileira (MPB). Ele ousou mergulhar nas raízes culturais do Brasil em um período dominado pela importação de gospel music norte-americana. Vencedores por Cristo, por exemplo, que já gravava LPs há alguns anos, só usava músicas norte-americanas vertidas para o português.
Sua produção usava a leveza e a complexidade harmônica do violão brasileiro. Seu estilo de tocar era “cheio de leveza e arte,” e sua voz, de “timbre grave inconfundível,” o tornaram um “original raro”.
Para Sérgio Pimenta, a excelência artística não era um luxo, mas um imperativo da fé, guiado pelo conceito de “renovação do pensamento” (Romanos 12:2). Essa postura atingia o conservadorismo musical evangélico da época, que associava a arte brasileira popular ao secularismo. As letras de suas músicas também trouxeram um aprofundamento de conteúdo impressionante, pois era lugar comum nessa época o uso dos chamados “cânticos de acampamento” (por exemplo: sempre melhorando) que não tinham grande profundidade bíblico-teológica.
Muitas das letras de Sérgio são diretamente baseadas em textos bíblicos ou podem ser facilmente ligadas a conceitos teológicos claramente expressos na Bíblia.
Essa combinação da complexidade e qualidade musical com a profundidade de pensamento trazida por suas letradas produziu um estilo único.
Sérgio tinha um timbre de voz grave (baixo) inconfundível aliada a uma forma de tocar muito peculiar e aprazível do ponto de vista musical, estético e inspirador.
Grupos Musicais e Discografia
Sérgio Pimenta foi presença “obrigatória em todos os principais discos e grupos musicais dos anos 70 e 80”. Ele deixou um vasto legado de mais de 300 composições, com estimativas que sugerem que o número total pode ultrapassar 500 músicas, muitas ainda inéditas.
Alegres na Esperança: Grupo inicial ligado à sua Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Integrado por jovens da igreja que cantava na programação da juventude, em cultos dominicais e igrejas.
Vencedores Por Cristo (VPC): Foi sua principal plataforma ministerial. Sérgio integrou a primeira geração de autores nacionais em 1977, que rompeu com a dependência de hinos norte-americanos. Ao lado de Guilherme Kerr Neto, Nelson Bomilcar, Aristeu Pires Jr., Edílson Botelho e outros, foi crucial para a transição do grupo para um repertório de autêntica expressão brasileira.
Em VPC, Sérgio participou de várias equipes que eram formadas para treinamento de jovens:
19ª Equipe – janeiro 1976
- Membros do Grupo: Angela Priscila Der Toronsian, Armando P. dos Santos Filho, Aristides de Faria Jr., Adilson Massao Suguihara, Danilo S. Oliveira, Fatima Aparecida Roque, José Ronaldo Peyroton, Karin Helen Kepler, Laudir R. Pezzato (líder do grupo), Leila Rodrigues Moreira, Maria Elizabeth Borges, Osiander Schaff da Silva, Rudemar Delalamo, Sérgio Paulo Muniz Pimenta, Tânia Loureiro Peixoto, Valéria Verotti Vassão, Waldemar Ichird Suguihara.
- Roteiro: Rio Claro/SP, Araraquara/SP, Bauru/SP, Londrina/PR, Maringá/PR, Mauá/SP e Santa Bárbara d’Oeste/SP.
23ª Equipe – janeiro 1977
- Membros do Grupo: Aristeu Pires Jr., Denise Fauline de Menezes, Eliete Rachel Bulhões Dias, Ederly Pinheiro Chagas, Abílio Pinheiro Chagas, Débora Sanches, Fred Sanches, Guilherme Kerr Neto (líder do grupo), Sandra Elisabeth Kerr, Ivailton dos Santos, Gerson Jorge Ortega, Sérgio Paulo Muniz Pimenta, Sérgio Ricardo Leoto, Márcia Velloso Martins, Roseli Pardal Vita, Susan Elizabeth Moon, Valéria Verotti Vassão.
- Roteiro: Caxias do Sul/RS, Porto Alegre/RS, Montevidéu/Uruguai, Maldonado/Uruguai e Punta Del Este/Uruguai.
27ª Equipe Especial – 1978 a 1980
- Membros do Grupo: Sérgio Paulo Muniz Pimenta, Gerson J. Ortega, Nelson Marialva Bomilcar, Sônia Emília Lopes, Susan E. Moon, Ederly P. Chagas, Carla Verotti Ferreira, Sérgio Ricardo Leoto, Guilherme Kerr Neto, Syrlena Verotti Ferreira.
- Roteiro: Trabalhou durante todo o ano cumprindo extensa agenda.
32ª Equipe – julho 1979
- Membros do Grupo: Sandra H. Gordon, Hélio Carlos S. Campos, Davi C. Kerr, Gisela Aparecida Piedade, Guilherme Kerr Neto (líder do grupo), Nila Munguba, Nelson Pinto Júnior (líder do grupo), Rudemar Delalamo Jr., Sérgio Paulo Muniz Pimenta, Sônia Emília Lopes, Susie Duarte Costa, Syrlena Verotti Ferreira.
- Roteiro: Rio de Janeiro/RJ, Três Rios/RJ, Goiânia/GO e Belo Horizonte/MG.
34ª Equipe – janeiro 1981
- Membros do Grupo: Sônia Dimitrov Pimenta, Rosa Maria, Nelson Pinto Jr., Sérgio Paulo Muniz Pimenta, Sérgio Ricardo Leoto, Valéria Verotti Ferreira, Guilherme Kerr Neto.
- Roteiro: Nova Friburgo/RJ, Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES, Ilhéus/BA, Itabuna/BA, Salvador/BA, Campina Grande/PB, João Pessoa/PB, Recife/PE, Aracaju/SE e Rio de Janeiro/RJ.
Sérgio também colaborou com Vencedores por Cristo ministrando em acampamentos, grupos de louvor, ajudando missionários e em programações evangelísticas.
Discografia de Vencedores por Cristo que Sérgio participou e/ou contém músicas dele:
- De Vento em Popa (1977): Álbum que se tornou um “marco” que iniciou a adoção da MPB na música cristã nacional e quebrou paradigmas.
- Tanto Amor (1980)
- Louvor II (1980)
- Louvor III (1981)
- Tudo ou nada (1983)
- Louvor IV (1985)
- Instrumental I (1985)
- Instrumental II – (1986)
- Louvor V (1988)
- A música de Sergio Pimenta (1988)
- Viajar (1989)
- Louvor VI (1990)
- Canções de Amor (1997)
- O melhor de Sérgio Pimenta (1998)
- VPC 30 anos (1998)
- Novidade (2001)
- Cante Louvores (2004)
- Louvor – O melhor da série (2006)
- Vencedores por Cristo sem fronteiras (2007)
Grupo Semente:O Grupo Semente nasceu em julho de 1982 formado por amigos e irmãos (alguns estiveram juntos também em VPC).
- Constituição do grupo original: Gerson Ortega (tecladista); Nelson Bomilcar (guitarrista e compositor); Sérgio Paulo Muniz Pimenta (violonista e compositor); Hélio Campos (baterista); Jorge Camargo Filho (contrabaixista, violonista, vocalista e compositor); Marcos Mônaco (saxofonista e flautista); Carla Bomilcar (vocalista); Miriam Zancul Ortega (vocalista); e Sônia Dimitrov Muniz Pimenta (vocalista).
Sérgio foi membro ativo de 1982 a 1987, contribuindo para três álbuns gravados pelo grupo:
- Plantando a Semente (1982)
- Fruto da Semente (1985)
- Criação (1987): Seu último disco, lançado pouco antes de seu falecimento.
O Grupo Semente também foi inovador, pois inseriu em seus discos música instrumental, que na época não se usava. Formado por músicos de escol, investiram em arranjos para as músicas que transcendia o apenas acompanhar o cantor ou cantores, mas investiam em frases, convenções e uma forma de tocar que caiu como luva para a complexidade das composições de Sérgio.
Vida Pessoal, Casamento e Filhos
Sérgio era um homem negro, tinha 1,73m de altura, de voz grave e uma serenidade que marcava.
Tinha uma profunda consciência de Deus, da salvação em Jesus Cristo e da intimidade com o Espírito Santo. Dizimista fiel, fazia questão de registrar em sua agenda a necessidade e o dia da entrega de seu dízimo. Isso refletia em suas poesias e músicas – a urgência de Deus!
Conheceu sua futura esposa, Sonia Dimitrov, em 1979, durante um almoço de ex-participantes do grupo Vencedores por Cristo, em São Paulo. Sônia vinha orando e pedindo a Deus que lhe desse um marido, não apenas um namorado. Em 1980 o namoro começa depois de cartas trocadas.
Sônia era filha de Mihail Vasile Dimitrov e Eugênia Dimitrov, natural de Campo Grande, hoje Mato Grosso do Sul, descendente de ucranianos, de uma família tradicional Batista, formou-se em odontologia e desenvolveu sua carreira em seu consultório em São Paulo. Ela era também envolvida com missões e compartilhava a paixão pela arte.
O namoro e o noivado foram marcados pela resistência de setores mais conservadores do meio evangélico, que estranhavam o perfil de Sônia. Afinal de contas uma descendente de ucranianos, branca, de olhos claros; Sérgio um homem negro. O amor, o compromisso bíblico e uma séria e madura decisão do casal acabou com qualquer tentativa de destruir aquilo que Deus estava construindo – uma família.
O casamento, construído sobre uma parceria de fé e trabalho, foi considerado um ato de coragem. O matrimônio se deu em 18 de setembro de 1982 e Sônia passou a adotar o nome – Sônia Dimitrov Muniz Pimenta.
A cerimônia de casamento foi cuidadosamente preparada por Sérgio. Em sua agenda do ano de 1982 ele fez questão de registrar cada passo: o envio de flores para Sônia, a compra das alianças, as providências para o casamento civil, a aquisição de eletrodomésticos para o apartamento, a escolha dos padrinhos, convites, o planejamento da lua de mel, o uniforme que usaria no casamento etc.
O programa do casamento previa:
Entrada – música que Sérgio compôs para ser tocada no casamento, a canção “Fim de Outono”, uma música instrumental.
Saída – a música “Paz capaz” de sua autoria também.
O oficiante foi seu grande amigo e companheiro de composições Pastor Guilherme Kerr Neto.
Sérgio desejava muito ter filhos, chegava a ser ansioso por tê-los! Dois anos depois de casados nasce o primogênito Renato Dimitrov Muniz Pimenta em 08 de novembro de 1984 no Hospital Adventista na Cidade de São Paulo.
Agora os planos mudam, Renato com apenas três meses, a família se muda para o Rio de Janeiro para Sérgio seguir o mesmo caminho do pai, fazer a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO).
A caçula, Juliana Dimitrov Muniz Pimenta, nasceu em 13 de março de 1986 no Hospital Adventista Silvestre na Cidade do Rio de Janeiro, nove meses de Renato ter nascido. Sônia agora tinha dois bebês dentro de casa.
Sérgio realizado, pois segundo o testemunho de Sônia, queria muito ter filhos e, considerava a “maior obra de arte” de sua vida seus dois filhos.
Hoje, Renato e Juliana já constituíram suas próprias famílias e Sônia tem o privilégio de ver os filhos dos filhos.
- Família de Renato
- Debora Dias Ferreira (esposa)
- Gustavo Dias Dimitrov Pimenta (filho)
- Família de Juliana
- Erick Saraiva Leão Silveira (marido)
- Felipe Dimitrov Pimenta Silveira (filho – 12 anos)
- Giovanna Dimitrov Pimenta Silveira (filha – 9 anos)
Digno de destaque era a relação de Sérgio com seus pais – Ele era submisso aos pais.
Amigo de Ilza, sua mãe. Manteve um relacionamento extremamente próximo com sua mãe que, segundo testemunho de Ilsi, sua irmã, “eles eram confidentes”. Não esquecia o aniversário dos seus, mantinha contato constante com Ilza, sua mãe. Pelo escrito até aqui, se percebe que Sérgio tinha em seu pai um conselheiro e um referencial de vida.
Honrar os pais – a palavra dos pais era basilar na vida de Sérgio. Ilsi conta que em 1986 ele vai a Manaus para conversar com o pai. Sérgio queria sair do exército (já era capitão) para ser missionário. Mas ele só sairia se o pai desse a bênção.
Sérgio já casado, com dois filhos pequenos – Silas disse não! E aí Sérgio encerrou o assunto. Como Deus dirigiu os passos. Um ano depois, Deus o chamou à Sua presença. Se ele tivesse saído, talvez a vida para Sônia e as crianças teria sido muito mais difícil. Sobre isso, Ilsi diz: “Tremendo, né? E aí eu vejo assim, como foi bonito ele honrar os pais, né? Como foi importante ele ter honrado”.
Doença, Falecimento e o Legado da Dor
Sérgio começa a sentir dores na virilha. Será uma hérnia? Foi ao médico do quartel, foi a outro médico. Voltaram a mais de uma dúzia de médicos. As dores aumentaram.
Em 11 de abril de 1987, na imponente Sala Cidade de São Paulo se daria o lançamento do disco Criação. Tudo preparado, a sala lotada, o clima de festa. O grupo Semente nos bastidores orando para começar. Terminada a oração, Sérgio procura o Dr. Luiz Caseira, que já integrara algumas equipes de VPC e estava ali orando com o grupo, e diz: “Doutor, estou precisando dos teus favores” – “já tem alguns meses que estou com uma dorzinha que não vai embora. Você poderia me examinar?”
Dr. Caseira o examinou no dia seguinte e percebeu que Sérgio estava mancando. As dores haviam aumentado. No exame, o doutor percebeu que havia uma tumoração na base da coxa. Voltando para o Rio de Janeiro, por recomendação do Dr. Caseira, Sérgio completou os exames necessários e recebeu o diagnóstico de neoplasia maligna (câncer). Ele foi diagnosticado com um Sarcoma indiferenciado, metástases pulmonares, estágio IV. Um câncer ósseo raro e extremamente agressivo. Ele enfrentou quatro meses de intensa luta e sofrimento – o câncer evoluiu muito rápido.
Certa vez ficou cerca de 15 dias internado no Hospital Central do Exército (HCE) no Rio de Janeiro, numa enfermaria na qual só era possível receber visitas em horários pré-determinados – se sentiu só. A solidão da ausência de Sônia e seus filhos amados; a solidão causada pela gravidade da doença – Sérgio estava só!
É nesse momento que a consciência cativa do Senhor se revela e Sérgio escreve uma poesia que, posteriormente Nelson Bomilcar musicou e se tornou um hino a certeza do cuidado de Deus.
Quando se está só, o silêncio é mais profundo
As noites são mais longas, o frio mais intenso
E até a própria sombra parece estar mais junta
Como se soubesse quando se está só.
Quando se está só, um grito é desespero
Sussurro é loucura, o estalo mete medo
E a mão forte aparece e está sempre nos sonhos
Eternos pesadelos quando se está só.
Quando se está só, se está porque deseja
Pois ele com certeza não foge de ninguém
Deus está sempre perto, amigo, abraço aberto
Convida a ir com ele pra não mais estar só…
A igreja de Cristo no Brasil se uniu em oração pela cura e recuperação de Sérgio. A família buscou os melhores médicos e os maiores especialistas.
Sérgio faz químio e radioterapia. Tudo o que era possível foi tentado. Transferiu-se para São Paulo para tentar alternativas, porém foi inútil.
O período de sua doença produziu a fase mais intensa e visceral de sua composição, marcada por uma teologia da dor e da honestidade espiritual.
Foi nesse momento que, para edificar os irmãos da Comunidade que Sérgio e Sônia vinham frequentando em São Paulo, Ele compôs outra música que nos ajuda a colocar o sofrimento na dimensão correta.
Só quem sofreu
Pode avaliar quem sofreu
Pode se identificar
Pode ter o mesmo sentir
Só quem sofreu
Tem palavras de puro mel
Que transmitem todo o calor
Para quem precisa de amor
E o cristo encarnou
Sofrendo como um homem a dor
Sabendo o que é padecer
Na mente e no corpo
E ele morreu
E até a própria morte venceu
Mostrando amor capaz de atender
A todo homem
As canções “Quando se está só” (com Nelson Bomilcar) e “Só Quem Sofreu”, esta última escrita sob o diagnóstico de câncer em 1987. Seu verso, “Só quem sofreu, pode avaliar quem sofreu…”, tornou-se um epitáfio de sua jornada de fé e dor.
Sérgio Paulo Muniz Pimenta faleceu em 12 de agosto de 1987, no Hospital do Câncer (Hospital A. C. Camargo) em São Paulo, às 23h40min, aos 32 anos de idade, de maneira tranquila, ao lado de Sônia, o amor de sua vida.
Sérgio e Sônia confiavam que Deus era capaz de reverter a situação, Ele poderia curá-lo.
Sônia, viveu momentos sombrios nesse tempo. Ela descreveu o luto como um processo de superação da “mágoa” – “Por que Deus não atendeu a minha oração?” Ela lembra da “vontade de sentar e esperar a minha vez de ir também”, e da “crise de identidade”. Uma jovem mãe com apenas 4 anos e alguns meses de casada, com dois bebês em casa (Renato com 2 anos e 9 meses e Juliana com 1 ano e 8 meses) e precisando lidar com o fato de que seu marido falecera após um período duro e rápido de uma doença que o consumiu. A superação veio pela certeza na Soberania de Deus.
Foi celebrado Culto em Memória do Capitão Sérgio Paulo Muniz Pimenta na Igreja Batista da Liberdade tendo como pregador o pastor que celebrou o casamento de Sérgio e Sônia, o amigo Guilherme Kerr Neto. Nessa oportunidade o Grupo Semente cantou várias músicas de Sérgio: Aquele que me ama, Vem comigo, Tanto amor, Quando a Glória, Você pode ter, Ideia Melhor, O que me faz viver, Nem um momento só, É preciso e Cada Instante.
Mas, a vida de Sérgio deixou indeléveis marcas na vida de muita gente. Por isso, importa registrar:
- A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo fez registrar em suas atas em 04/03/1988, por proposta do deputado Ivan Espíndola de Ávila: “voto de profundo pesar pelo falecimento, no dia 12 de agosto de 1987, do Capitão Sérgio Paulo Muniz Pimenta”.
- A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo resolveu em 07/11/1989, propor ao Governador que conferisse a EEPG Jardim São Luiz, distrito de Itaim Paulista, o nome de Escola Estadual Capitão Sérgio Paulo Muniz Pimenta. Essa proposta se tornou a Lei nº 6.571, de 30 de novembro de 1989.
Conclusão
Com uma vida intensa e breve, Sérgio Paulo Muniz Pimenta é lembrado como um gênio musical que uniu teologia sólida e o melhor da Música Popular Brasileira, redefinindo a música cristã no país. Ele estabeleceu um padrão inigualável de integridade artística e excelência, provando que a arte dedicada a Deus com integridade e excelência transcende o tempo. Sua obra serve como um pilar de referência ética e estética, e seus filhos, Renato e Juliana, permanecem como o testemunho vivo de sua vida e a “maior obra de arte” que ele deixou.
E Sônia? Continuou sua jornada, se casou com João, um homem de Deus e junto com seus filhos concordaram que era hora de termos mais um registro de quem foi Sérgio, o que ele fez e a herança maravilhosa que deixou – vida com Deus.
Para registro da história, Sérgio completaria em 08 de novembro de 2025, 70 anos. A fim de deixar uma marca da vida e ministério de Sérgio Pimenta, o Instituto Presbiteriano Mackenzie abriu suas portas para realizar:
- Uma exposição histórica sobre a vida e obra de Sérgio Pimenta no Centro Histórico e Cultural Mackenzie;
- Uma apresentação musical no Auditório Rui Barbosa no dia 07 de novembro, em que as novas gerações cantam as músicas de Sérgio Pimenta. Participam desse momento, de forma voluntária: Analu Sampaio, Gerson Borges, João Manô, Midian Nascimento, Paulo Baruk e Paulo Nazareth;
- Duas apresentações no dia 0i de novembro, com a família e amigos que cantaram, tocaram e estiveram com Sérgio. Participam: Grupo Semente, Vencedores por Cristo, Grupo Plenitude, Coro da Escola Estadual Capitão Sérgio Pimenta, Guilherme Kerr, Quico Fagundes, Nelson e Carla Bomilcar, Jorge Camargo, Gerson Borges, Ilsi Pimenta, Renato Pimenta, Juliana Pimenta Silveira e Giovana Pimenta Silveira;
- O lançamento desse livro;
- O lançamento do site em homenagem ao Sérgio Pimenta.
Como terminar? Dando glória a Deus. Acho que Sérgio faria isso!